Ser pai não é ajudar: é assumir o seu papel de verdade.

Uma reflexão direta sobre presença, responsabilidade e o papel real do pai na criação dos filhos.

Hoje quero falar sobre algo que tem me incomodado nos últimos tempos: a paternidade — ou melhor, a forma como a sociedade ainda enxerga a paternidade.

Na minha vida, ser pai foi um marco. Mudou tudo: meu jeito de pensar, de agir e até meu corpo. Quando nos tornamos pais, é como se assinássemos um contrato silencioso, onde abrimos mão de algumas coisas que gostamos em troca daquilo que mais amamos: nossos filhos.

Depois que eles chegam, a sensação é de que o coração passa a bater fora do corpo. Cada ação é pensada em prol daquele bebê — garantir conforto, aliviar as cólicas, enfrentar noites sem dormir… até que, aos poucos, eles entram na rotina da casa. A vida vai se ajustando, as coisas ficam mais leves, e tudo aquilo que parecia distante volta a acontecer — mas agora com um propósito muito maior.

Ser pai é, sem dúvida, uma das melhores experiências que um homem pode viver. Os perrengues existem, claro, mas são esmagados por um sorriso banguela no pós-banho, por uma cosquinha durante a troca de fralda ou por aquele “pai” dito pela primeira vez. É revigorante. É apaixonante.

Mas aí, no trabalho, na fila do mercado, no restaurante, sempre aparece alguém com a pergunta clássica:

“Tu ajuda a tua esposa com o bebê, né?”

E a minha resposta é sempre a mesma:

“Não.”

Não ajudo — porque não se trata de ajudar. Se trata de fazer a minha parte.
Minha esposa não virou mãe sozinha. Ela carregou nossos dois filhos durante nove meses cada um. Nesse período, sim, eu ajudava porque sua mobilidade era menor, porque o corpo dela estava sobrecarregado — e era meu papel tornar tudo mais confortável.

Mas depois do nascimento?
Trocar fralda, dar banho, levar ao médico, lavar roupas, cuidar da rotina, alimentar… Nada disso é “ajuda”. É responsabilidade. Minha e dela.

Em que lugar está escrito que isso é só função da mãe?
Nunca vi essa regra — mas a sociedade parece insistir nela.

E, muitas vezes, percebo olhares estranhos quando chego com meu filho ao médico.

“Nossa… um pai trazendo o bebê?”

Sim. Porque naquele dia eu pude levar, e ela pôde trabalhar. Simples assim.
Mesma tarefa, só mudando quem executa.

Em grupos de trocas infantis, então, é sempre “Meninas, olhem essa promoção!” ou “Boa tarde, mamães…”. Como se nenhum pai pudesse participar ou se interessar pelos cuidados do filho.

E deixa eu deixar claro: este texto não é para me elogiar por ser um “pai participativo”.
É para chamar os outros pais.

Onde vocês estão?

Não “ajudem” suas esposas. Façam a sua parte.
Não terceirizem o convívio com seus filhos. Vivam ele.

Cada fase é única.
Cada dentinho novo (com febre incluída).
A primeira gargalhada.
A primeira palavra.
O primeiro passo.
A primeira palminha do “parabéns”.

Tudo isso faz parte de ser pai. E, acredite: seu filho percebe.
Percebe quando você está perto — e percebe quando você está distante.
E a distância que você tem dele agora, será proporcional a distância que ele terá de você na vida adulta, provavelmente.

Veja mais posts que podem te ajudar na paternidade, clicando aqui.
Leia este livro sensacional sobre paternidade, ou presenteie o seu marido, clicando aqui.

Deixe um comentário